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Por Anna Ligia Machado
Sete da manhã. Estou dirigindo e paro no farol, a caminho da universidade. Ao meu lado, pessoas dormindo. Vejo suas casas e observo seu sono. Elas moram nas ruas, mais especificamente embaixo de um viaduto.
Fico imaginando como é não ter um teto e, desta maneira, ter de partilhar momentos íntimos com uma multidão, que por aqui passa cotidianamente.
Não ter liberdade para se despir ou se relacionar e nem ter TV como passatempo. Não poder fechar as janelas para evitar a claridade de um novo dia que chega e nem ter onde se abrigar em dias chuvosos. Acordar e dar de cara com um mundo que já amanheceu e que segue para cumprir mais um dia de suas atividades rotineiras.
Durante os poucos minutos em que o farol está vermelho, os meus olhos devoram a cena que vejo pela janela. É tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.
Vejo a desigualdade no rosto de cada um dos moradores da residência que tem o céu como teto, o concreto como cama e o asfalto como quintal. A velocidade de São Paulo passa ao lado, mas não pára por aqui. O ritmo da produção também não. Embaixo deste viaduto, há seres humanos cuja busca diária é pela subsistência.
Levo um susto que me traz de volta à realidade. É um pedinte batendo em meu vidro. Ele quer esmolas. Digo que não tenho e ele se vai. Então, o sinal abre e eu acelero, afastando-me novamente da dura realidade das ruas, com a triste sensação de ter as mãos atadas. Amanhã e depois, voltarei a visitar esta casa, na qual ninguém precisa bater à porta para entrar.
Arquivado em: Anna Ligia | Tags: acidente de trânsito, Bebidas alcoólicas, embriaguez, juventude
As manchetes dos últimos dias concentram histórias de acidentes de trânsito causados pelo consumo de álcool. Que bebida e direção não combinam, todos estão cansados de ouvir. Mas, para alguns, entra por um ouvido e sai pelo outro. É “caretice”!
Apesar de defender e acreditar na liberdade de imprensa como um grande bem social, estou repensando minha opinião sobre as publicidades de bebidas alcoólicas. Ilustrando ilusões amplamente consumidas pelos jovens, elas mostram homens e mulheres bonitos, num clima de azaração e alegria, onde o final é sempre feliz! Pena que não é bem assim que acontece. Os mesmo jovens que consumiram as bebidas anunciadas e se divertiram, têm que encontrar um jeito de ir para casa e infelizmente, muitos optam por ir dirigindo. Por quê essas propagandas não ilustram o fim da noite e incentivam o uso de táxis, por exemplo? A resposta é óbvia: o produto com certeza chamaria menos atenção do que ao mostrarem uma “gostosa”, como a Juliana Paes…
A grande maioria das pessoas sente prazer em beber e não há mal nenhum nisso. Seja um choppinho, um vinho, uma dose de whisky… Mas o que vemos hoje é diferente! É o famoso “beber, cair e levantar”, refrão do novo sucesso musical popular. Vivemos uma fase de exageros, falta de limites e principalmente de ausência de diretrizes norteadoras da juventude. E é então que entra o papel da bebida, como forma de preencher a lacuna vazia na vida de alguns jovens. Sua superficialidade e a ocupação de sua mente pela valorização do consumo e das posses os levam a ser literalmente devorados pela publicidade e pelas ilusões vendidas por essa.
No final, destrói-se vidas, mentes e sonhos. Tudo por alguns goles a mais.
Termino deixando dois links e um artigo para refletir sobre o assunto:
*Vídeo de um garoto de Brasília que, parado por uma blitz, não conseguiu fazer o teste do bafômetro, devido ao estado em que se encontrava: http://www.youtube.com/watch?v=iaATjY54DSs
*Vídeo da música “Beber, cair e levantar”: http://br.youtube.com/watch?v=_NUz9Jd8z9o
Artigo de Barbara Gancia sobre o assunto, publicado na Folha de S. Paulo de ontem (23 de maio):
Chegou a Zeca-Hora de dar um basta
Os jovens, meninas inclusive, bebem demais, comem de menos e voltam para casa em horários impensáveis
SINCERAMENTE, NÃO AGÜENTO mais ver mãe sofrendo morte de filho. Na sexta-feira passada, pela segunda vez em menos de dois meses, fui ao velório do filho de uma amiga, morto aos 24 anos em um acidente de trânsito ocorrido na madrugada.
A dor que presenciei chega a ser obscena de tão intensa. Minha amiga, que sempre conheci para lá de radiante, teve o coração destroçado. Em sua agonia, a todos que a abraçavam, ela só conseguia balbuciar a mesma pergunta: “Como vou viver sem meu filho?”. Um dos presentes me contou que aquele era o quinto velório de jovem a que ele comparecia nos últimos tempos. Andrey, o rapaz morto, não era de beber, mas a Vespa em que trafegava foi apanhada por um Audi que não prestou socorro. Seria o caso de deduzir que o Brasil está lutando uma guerra e que, ao completar 18 anos, nossos filhos, irmãos, primos e amigos estão sendo mandados para o front de batalha.
Mas se guerra houvesse, essa meninada ao menos estaria morrendo por uma causa e não tendo a vida interrompida sempre pelo mesmo motivo estúpido.
Parece haver uma conspiração contra essa geração que hoje está completando 18 anos e ganhando seu primeiro automóvel. Todos, meninas inclusive, bebem demais, todos comem de menos, todos vêm e vão em horários impensáveis de se sair e voltar para casa e todos, juntos, formam o público-alvo de uma indústria perversa, a de bebidas alcoólicas, que confunde propositalmente liberdade de expressão com permissividade a fim de criar novos consumidores (e vítimas).
Eu pergunto: como é que, até hoje, ninguém contestou em praça pública a venda de um produto indecente como aquela garrafinha de 300 ml de vodca adocicada, que é destinada exclusivamente ao consumo de gente jovem? Como podem as marcas de cerveja cooptar impunemente os ídolos da juventude para serem garotos-propaganda de seus produtos? Como pode o manobrista da casa noturna entregar, sem questionar, as chaves do carro ao jovem que está cambaleando de bêbado?
Nunca entendi esse negócio de “esquenta” -o ato de começar a beber antes da festa e só chegar à tal da “balada” em horários em que, antigamente, a gente estaria voltando para casa. Como é que os pais admitem esse ritual macabro? Não será óbvio que o “esquenta” aumenta as chances de o jovem se meter em encrenca e que seis ou sete horas de festa é tempo demais para qualquer um agüentar de cara limpa?
Tem pai que é cego, e a mera existência do celular passou aos progenitores uma falsa sensação de segurança. Se sei onde meu filho está, tudo bem, pensam eles. Mas não é bem assim. Por mais jovens que sejam os baladeiros de hoje, não há cristão, judeu, muçulmano ou descrente que agüente virar a noite na balada com música eletrônica. Tanto não há, que a prefeitura agora obriga por lei as casas noturnas a ter bebedouro acessível aos freqüentadores.
Alô, papai e mamãe para quem a ficha ainda não caiu! Desidratação combina com ecstasy. E bebida combina, sim, com volante e com briga. Ou será que ninguém nunca viu bêbado valentão pisar no acelerador e tímido reagir como leão quando está de cara cheia?
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Por Anna Ligia Machado
Quando a cidade de São Paulo é pautada, os temas mais recorrentes são o trânsito, as cenas de violência e o universo dos negócios, ou seja, os problemas que mais afetam as classes média e alta da metrópole. No entanto, pouco se fala das cenas de exclusão que presenciamos cotidianamente. Seja com o mendigo da esquina, com as crianças trabalhando nos faróis ou com os carroceiros. Assim como alguns lugares de São Paulo são invisíveis, (como tratei aqui no Paulicéia, no post Os lugares invisíveis de São Paulo) alguns de seus personagens também o são.
É difícil olhar para os indivíduos miseráveis, fruto da desigual sociedade na qual vivemos e, neste sentido, optamos por negar sua existência. Fechamos os vidros dos veículos e seguimos nossa rotina, isso quando não oferecemos algumas moedas aos pedintes na tentativa vã de ajudá-los a diminuir seus problemas.
Sentimo-nos de mãos atadas e culpados pelo que vemos pois, no fundo, sabemos que esta é a lógica do capitalismo e que para que os ricos e a economia se sustentem, sempre haverá pobres e famintos. É o chamado “colchão de sustentação” capitalista.
Ônibus 174
Acredito que foi com o objetivo de esclarecer essa situação que o diretor José Padilha (o mesmo de Tropa de Elite) resolveu produzir o documentário “Ônibus 174”, no qual busca resgatar as diferentes e profundas causas que levaram Sandro do Nascimento a seqüestrar o veículo e manter vítimas sob a mira de um revólver por cerca de 4 horas, tendo assassinado uma delas.
A triste e comum história de Sandro foi marcada por presenciar o esfaqueamento de sua mãe, quando tinha apenas seis anos. Durante sua adolescência, já morador de rua, o jovem também foi vítima da Chacina da Candelária.
O objetivo aqui não é o de justificar os atos de violência cometidos, mas sim de provar que a situação que vivenciamos hoje é fruto de sementes de indiferença e desigualdade com relação aos excluídos, plantadas pela sociedade brasileira por muito tempo.
E a violência só passou a ser vista realmente como um problema quando alcançou as classes privilegiadas da sociedade. A tragédia de ver dezenas de pessoas mortas na periferia não chega aos pés daquela proporcionada pelo assassinato de um rico.
Os atos violentos que presenciamos quase que diariamente não são nada mais do que um grito em busca de atenção daqueles que se calaram e que viveram esquecidos e marginalizados por tanto tempo.
Até quando essa situação se sustentará?
Deixo para vocês um vídeo com a música O meu país, do grande Zé Ramalho. A letra da canção(abaixo) permite uma profunda reflexão sobre o Brasil e nos faz repensar a forma como enxergamos o mundo a nossa volta. Grande Zé!
http://www.youtube.com/watch?v=p2ECPW5GYzA
O meu país (Zé Ramalho)
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem Deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram-se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo em comum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é, com certeza, o meu país
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é, com certeza, o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde a escola não ensina
E hospital não dispõe de raios X
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é, com certeza, o meu país
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Olá gente! Aqui quem escreve é a Anna.
Aproveitarei a deixa do post da Simone para comentar sobre um dos eventos da virada, o show da banda O Teatro Mágico. Foi a primeira vez que assisti a uma apresentação do grupo e, confesso, o que vi me agradou!
O show ocorreu às 9 horas da manhã do domingo, 27 de abril. É a segunda vez que a banda se apresenta na Virada Cultural, tendo reunido mais de 40 mil pessoas em 2007.
Entre o público, pessoas com o rosto pintado e com narizes de palhaço, acompanhando o estilo circense dos integrantes do conjunto. Durante mais de uma hora, foram tocadas músicas que levantaram o astral geral dos presentes.
No final, o vocalista Fernando Anitelli declarou que o grupo continuará independente (eles não têm gravadora) e comentou sobre o novo CD, intitulado “O segundo ato”, dizendo que as músicas serão disponibilizadas para download gratuito, assim como as canções do primeiro. Aliás, foi a última apresentação paulistana do CD de estréia, que se chama “Entrada para raros”.
Histórico da banda:
A “trupe” é composta por 11 artistas. Idealizador e diretor artístico, Fernando Anitelli define o grupo como “um sarau amplificado onde tudo pode acontecer”. Reunindo música, teatro, circo e poesia, o projeto é completo e chama atenção pela inovação.
As músicas do CD de estréia, assim como suas letras e acordes, são disponibilizados gratuitamente no site da banda: www.oteatromagico.mus.br/
Fico por aqui, deixo o link para um vídeo da música “O anjo mais velho” e desejo a todos uma ótima semana e feriado!
http://www.youtube.com/watch?v=MB9qzKnJVVo&feature=related
Abraços e até a próxima!
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Oi, pessoal! Quem escreve é a Anna.
Acompanhando a “novela” em que se transformou a cobertura midiática da morte de Isabella Nardoni, descobri uma coincidência. O pai da menina, Alexandre Nardoni, ficou preso por nove dias (de 3 a 11 de abril) no 77º Distrito Policial de São Paulo. A coincidência está no fato de que eu e a Bruna( Bariani, que também escreve aqui) havíamos feito uma matéria no local algumas semanas antes do ocorrido.
Abaixo, segue a matéria que escrevemos, buscando mostrar o cotidiano da delegacia:
O diário de um DP
O 77º Distrito Policial, localizado à Alameda Glete, número 827, cobre as ocorrências de Higienópolis e de parte da Cracolândia. Definido pelo delegado assistente Antônio Rodrigues como “o lixo e o luxo”, os mais diversos crimes são registrados no DP. Queixas como roubo, furto, difamação, morte suspeita e assassinato são freqüentes.
A delegacia possui cinco equipes, que se revezam em turnos de 12 horas. Todas providas de dois investigadores, um delegado e policiais militares, que ficam no próprio Distrito Policial e em ronda.
Segundo o delegado titular Dr. Albano Fernandes, o ambiente é invariavelmente tenso. “Todas as pessoas vem aqui achando que o que lhe ocorreu é o maior problema do mundo e esperam sair da delegacia já com uma solução. É uma enorme panela de pressão”, desabafa ele. O ambiente pesado acaba influenciando também a vida pessoal dos funcionários do DP. “Muitos partem para o alcoolismo e até para as drogas. É preciso ter estrutura para lidar com o poder”, diz Fernandes. Quando há revezamento de equipes, os policiais que iniciam seu turno preferem não ser informados quanto aos casos registrados no período de trabalho anterior ao seu. “É uma questão de saúde mental”, afirma Dr. Antônio.
O distrito é provido de quatro celas, que podem abrigar até nove presos cada. Em 00 de março, 19 presos detidos aguardavam o decreto da prisão temporária. Eles ficam, em média, de cinco a 30 dias no xadrez e quando não há provas suficientes, são soltos. “Toda cadeia tem uma ética”, relata o delegado assistente. “Pessoas que cometeram crimes hediondos ou contra mulheres e crianças, já estão condenados pelos demais presos e por isso precisam ficar em celas separadas para evitar que sejam mortos dentro da própria cadeia”, completa ele.
Também chegam ao local diversos casos que envolvem desentendimentos e brigas de família, casos em que não se faz necessário o Boletim de Ocorrência. “Às vezes tem que ser um pouco psicólogo”, afirma um investigador do DP, que por motivos de segurança, prefere não ter seu nome divulgado. A opinião é reafirmada por Dr. Antônio: “Ouço dores, reclamações e aflições o dia inteiro, mas percebo que às vezes as pessoas querem apenas ser ouvidas”.
Para Rodrigues, a Universidade Mackenzie possui um eficiente sistema de segurança, pois desde outubro de 2007, quando iniciou seu trabalho no 77º DP, nenhum caso envolvendo a instituição foi registrado. Mas, chama atenção para o principal caso recorrente na região, o furto de celulares, bolsas e mochilas. Sobre isso, ele alerta: “É preciso ficar atento. As pessoas têm o costume de andar com a mochila nas costas e andarem na rua falando no celular ao mesmo tempo, o que ocasiona diversos assaltos, em que geralmente as vítimas são mulheres abordadas por homens simulando estarem armados”. Uma recomendação é não deixar o celular na mesa do bar quando se afastar da mesma. Bolsas também não devem ser deixadas longe da vista.
Indagados acerca de casos de corrupção envolvendo a Polícia Militar, ambos os delegados afirmam se sentir vitimas de uma imprensa sensacionalista, que, em busca de audiência e leitores, primeiro publica a matéria para depois averiguar o caso. “Ninguém espera uma apuração. Deveria haver mais critério. Não nos é dado o direito de fala e a mídia já condena antes mesmo do julgamento”, finaliza Fernandes.
Termino meu post deixando um questionamento no ar. Fiquei chocada com o caso da família Nardoni, assim como grande parte dos brasileiros. No entanto, não concordo com esta exploração do caso pela mídia e tenho certeza que diversos assuntos de interesse público estão sendo deixados de lado em detrimento dele (e do interesse do público)! Um ótimo exemplo é a epidemia de dengue que assola o Rio de Janeiro. O vírus já matou cerca de 80 pessoas e promete atingir outras regiões do país.
QUE PAÍS É ESTE, QUE CHORA A MORTE DE UM, MAS FECHA OS OLHOS PARA A MORTE DE TANTOS?
Arquivado em: Anna Ligia | Tags: espaço, marc augé, midiatização, monumentos, não-lugar, obras, sp, visibilidade
Arquivado em: Anna Ligia | Tags: cachimbo, charuto, cigarrilha, lei, São Paulo, vereador Farhat(PTB)
Olá a todos!!! Sou Anna Ligia e este é meu primeiro post em Paulicéia Acelerada. Com a divulgação dos múltiplos aspectos desta heterogênea cidade que é São Paulo, espero que o blog propicie um espaço agradável de leitura, em constante diálogo com vocês, leitores. Portanto, fiquem à vontade para comentar e enviar suas sugestões.
Hoje, falarei sobre a lei paulistana que, em vigor desde 14 de fevereiro deste ano, proíbe o fumo de charutos, cachimbos e cigarrilhas em estabelecimentos que não possuem áreas destinadas exclusivamente a este fim. A nova regra é fruto de um projeto de lei do vereador do PTB José Rogério Farhat e tem gerado polêmica, entre outros motivos, por não incluir o cigarro.
Em seu blog, a Aliança do Controle ao Tabagismo(ACTbr) caracteriza a mudança como “inadequada”, argumentando que já há uma lei de âmbito federal sobre o assunto e que a nova lei deixa a impressão “de que no município de São Paulo fumar cigarro em ambientes coletivos está liberado, enquanto o consumo de charuto, cigarrilha etc necessita de isolamento”. Confira o texto na íntegra: http://blog.actbr.org.br/page/2/ (postado em 15/02/2008)
Abaixo, segue matéria sobre o assunto, que escrevi para o jornal universitário Dizfoca:
Com restrições
Lei de São Paulo cria regras para o fumo de charutos, cigarrilhas e cachimbos
Acomodado em poltrona ao fundo de uma tabacaria da Alameda Lorena, região oeste da capital paulista, Henrique Gamão fuma seu charuto. Há quinze anos adepto da prática, a qual considera uma terapia, o cidadão mostra-se insatisfeito ao relatar que não pode mais apreciar o produto artesanal “nem nas mesas externas” de um restaurante do qual é assíduo cliente.
Isso se deve a uma lei da cidade de São Paulo, em vigor desde 14 de fevereiro desse ano. Tanto Gamão quanto qualquer outro fumante de charutos, cachimbos e cigarrilhas estão proibidos de os acender em restaurantes e bares. As exceções da medida são em áreas fechadas e reservadas especialmente ao fumo e em estabelecimentos especializados, como charutarias e bares temáticos.
Para o também fumante de charutos Marcelo Esteves, a lei não trouxe mudanças. No segundo andar de uma tabacaria da Avenida Paulista, sentado em um sofá e assistindo televisão, o engenheiro afirma que quando quer fumar vai a locais especializados ou o faz em casa. “Eu jamais vou acender um charuto em um restaurante”, considera ele. Ao opinar sobre a efetividade da lei, Esteves questiona a não inclusão do cigarro na mesma. “Para mim, se o charuto e o cachimbo incomodam as pessoas, o cigarro também”. Com a mesma opinião que seu cliente, o funcionário André Santana define a medida como “meio incoerente”.
Sentado na sala de seu gabinete, o autor da lei, vereador petebista José Rogério Farhat, lembrou o fato que motivou a criação do polêmico projeto: “Durante um jantar com minha esposa, vi um garçom pedindo a um cidadão que apagasse o charuto, pois havia pessoas incomodadas. O rapaz respondeu que estava na área de fumantes e que ali não havia restrições para tal”. Citando os lobbies, Farhat declara que seria “demagogia” incluir o cigarro no projeto de lei, pois ele “não teria sido aprovado”.O fumo de narguilé, encarado como um “modismo” pelo político, também segue sem restrições.
A punição financeira para os estabelecimentos relutantes em cumprir a lei é de sete Unidades Fiscais do Município, o que em 2008 resulta em uma multa de R$ 610,40. No entanto, não haverá regulamentação de fiscais para o exercício da função: “Não vamos chamar alguém para multar quem está fumando. Os próprios freqüentadores e os fumantes já estão sabendo da lei e eles serão os fiscais”, diz Farhat.
Diante da branda fiscalização, alguns duvidam de seu cumprimento. É o caso de Marisa Carvalho, gerente comercial de uma loja que vende charutos e cachimbos. “Alguns estabelecimentos estão ignorando a lei, pois não querem deixar de atender seus clientes”, declara ela. Sobre a repercussão entre os fumantes, a comerciante afirma: “Muitos não gostaram, pois tinham o hábito de sair para jantar levando seus charutos para degustar”.
Enquanto isso, após minutos de papo e com o seu charuto quase no fim, Gamão reclama: “Tenho falado com amigos que também fumam charuto e que estão com esse problema de não ter onde fumar. Estou fumando aqui na charutaria, mas esse realmente não é o lugar certo para tal”.
Fico por aqui, no aguardo do comentário de vocês, dizendo se concordam ou não com essa lei e porquê.
Até mais!!
