Arquivado em: Anna Ligia | Tags: acidente de trânsito, Bebidas alcoólicas, embriaguez, juventude
As manchetes dos últimos dias concentram histórias de acidentes de trânsito causados pelo consumo de álcool. Que bebida e direção não combinam, todos estão cansados de ouvir. Mas, para alguns, entra por um ouvido e sai pelo outro. É “caretice”!
Apesar de defender e acreditar na liberdade de imprensa como um grande bem social, estou repensando minha opinião sobre as publicidades de bebidas alcoólicas. Ilustrando ilusões amplamente consumidas pelos jovens, elas mostram homens e mulheres bonitos, num clima de azaração e alegria, onde o final é sempre feliz! Pena que não é bem assim que acontece. Os mesmo jovens que consumiram as bebidas anunciadas e se divertiram, têm que encontrar um jeito de ir para casa e infelizmente, muitos optam por ir dirigindo. Por quê essas propagandas não ilustram o fim da noite e incentivam o uso de táxis, por exemplo? A resposta é óbvia: o produto com certeza chamaria menos atenção do que ao mostrarem uma “gostosa”, como a Juliana Paes…
A grande maioria das pessoas sente prazer em beber e não há mal nenhum nisso. Seja um choppinho, um vinho, uma dose de whisky… Mas o que vemos hoje é diferente! É o famoso “beber, cair e levantar”, refrão do novo sucesso musical popular. Vivemos uma fase de exageros, falta de limites e principalmente de ausência de diretrizes norteadoras da juventude. E é então que entra o papel da bebida, como forma de preencher a lacuna vazia na vida de alguns jovens. Sua superficialidade e a ocupação de sua mente pela valorização do consumo e das posses os levam a ser literalmente devorados pela publicidade e pelas ilusões vendidas por essa.
No final, destrói-se vidas, mentes e sonhos. Tudo por alguns goles a mais.
Termino deixando dois links e um artigo para refletir sobre o assunto:
*Vídeo de um garoto de Brasília que, parado por uma blitz, não conseguiu fazer o teste do bafômetro, devido ao estado em que se encontrava: http://www.youtube.com/watch?v=iaATjY54DSs
*Vídeo da música “Beber, cair e levantar”: http://br.youtube.com/watch?v=_NUz9Jd8z9o
Artigo de Barbara Gancia sobre o assunto, publicado na Folha de S. Paulo de ontem (23 de maio):
Chegou a Zeca-Hora de dar um basta
Os jovens, meninas inclusive, bebem demais, comem de menos e voltam para casa em horários impensáveis
SINCERAMENTE, NÃO AGÜENTO mais ver mãe sofrendo morte de filho. Na sexta-feira passada, pela segunda vez em menos de dois meses, fui ao velório do filho de uma amiga, morto aos 24 anos em um acidente de trânsito ocorrido na madrugada.
A dor que presenciei chega a ser obscena de tão intensa. Minha amiga, que sempre conheci para lá de radiante, teve o coração destroçado. Em sua agonia, a todos que a abraçavam, ela só conseguia balbuciar a mesma pergunta: “Como vou viver sem meu filho?”. Um dos presentes me contou que aquele era o quinto velório de jovem a que ele comparecia nos últimos tempos. Andrey, o rapaz morto, não era de beber, mas a Vespa em que trafegava foi apanhada por um Audi que não prestou socorro. Seria o caso de deduzir que o Brasil está lutando uma guerra e que, ao completar 18 anos, nossos filhos, irmãos, primos e amigos estão sendo mandados para o front de batalha.
Mas se guerra houvesse, essa meninada ao menos estaria morrendo por uma causa e não tendo a vida interrompida sempre pelo mesmo motivo estúpido.
Parece haver uma conspiração contra essa geração que hoje está completando 18 anos e ganhando seu primeiro automóvel. Todos, meninas inclusive, bebem demais, todos comem de menos, todos vêm e vão em horários impensáveis de se sair e voltar para casa e todos, juntos, formam o público-alvo de uma indústria perversa, a de bebidas alcoólicas, que confunde propositalmente liberdade de expressão com permissividade a fim de criar novos consumidores (e vítimas).
Eu pergunto: como é que, até hoje, ninguém contestou em praça pública a venda de um produto indecente como aquela garrafinha de 300 ml de vodca adocicada, que é destinada exclusivamente ao consumo de gente jovem? Como podem as marcas de cerveja cooptar impunemente os ídolos da juventude para serem garotos-propaganda de seus produtos? Como pode o manobrista da casa noturna entregar, sem questionar, as chaves do carro ao jovem que está cambaleando de bêbado?
Nunca entendi esse negócio de “esquenta” -o ato de começar a beber antes da festa e só chegar à tal da “balada” em horários em que, antigamente, a gente estaria voltando para casa. Como é que os pais admitem esse ritual macabro? Não será óbvio que o “esquenta” aumenta as chances de o jovem se meter em encrenca e que seis ou sete horas de festa é tempo demais para qualquer um agüentar de cara limpa?
Tem pai que é cego, e a mera existência do celular passou aos progenitores uma falsa sensação de segurança. Se sei onde meu filho está, tudo bem, pensam eles. Mas não é bem assim. Por mais jovens que sejam os baladeiros de hoje, não há cristão, judeu, muçulmano ou descrente que agüente virar a noite na balada com música eletrônica. Tanto não há, que a prefeitura agora obriga por lei as casas noturnas a ter bebedouro acessível aos freqüentadores.
Alô, papai e mamãe para quem a ficha ainda não caiu! Desidratação combina com ecstasy. E bebida combina, sim, com volante e com briga. Ou será que ninguém nunca viu bêbado valentão pisar no acelerador e tímido reagir como leão quando está de cara cheia?
3 Comentários até o momento
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Anninhaaa

1 – parabénssss pelo Blog, eu juro que se soubesse que vc escrevia tão bem, montava um blog antes do outro site…. rsrs P A R A B É N S. agora sou seu fã mais ainda.
Bom qto à bebida, eu nunca achei graça nenhuma, mas ultimamente o povo realmente tem exagerado muito, sem comentar que alguns nem sabem porque bebem, eu as vezes pergunto pra algumas amigas,e é sempre a msm coisa,” só pra sair com o pessoal”, ou então pra passar o tempo conversando….e por acaso pra sair ou apensar conversar precisa beber 10 cervejas? rsrs
Sem contar os churrascos de hj em dia, que tem 1 Kg. de carne e 100 litros de cerveja….
Bom……cada um é dono de sua vida.
Comentário por Vitor Maio 25, 2008 @ 3:31 amBjosss Anninhaaa
Não sou especialista, mas é difícil pra mim acreditar que a culpa de um jovem beber além da conta, pegar o carro e se envolver num acidente seja culpa da propaganda. A restrição nos anuncios POSSIVELMENTE impactaria numa redução do consumo, mas não resolveria a relação com o volante. A questão pra mim, como em quase tudo na vida é EDUCAÇÃO, que deve vir primeiro de casa e depois do Estado.
Mas não tenho opinião fechada sobre isso Anna. Mas muito legal levantar a discussão!!! Os artigos tão ficando cada vez melhores.
Um Beijo!
Comentário por William Maia Maio 25, 2008 @ 6:36 pmOlá Anna,
Embora concorde em partes com a matéria que escreveu acima(de maneira muito boa como sempre), como publicitário acho importante informar que a maioria das campanhas publicitárias sobre bebidas alcólicas, têm o intuito de manter as marcas sob os holofotes os consumidores(branding), e não e induzí-los ao consumo do àlcool.
Bjo
Comentário por Brunno Maio 26, 2008 @ 1:22 am